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terça-feira, 21 de junho de 2016

Tempo e Espaço dos Sujeitos e Instituições Escolares

TEMPO E ESPAÇO DOS SUJEITOS E INSTITUIÇÕES ESCOLARES

                                                        
                                                               Julio Cesar Machado De SOUZA

                                                             UNINTER Centro Universitário


RESUMO



O trabalho, em questão, propõe uma reflexão acerca do tempo e espaço dos sujeitos e instituições escolares. Um dos grandes desafios, além da concatenação de ambos, tempo e espaço, é buscar a participação de todos que estão envolvidos no contexto escolar para que alinhados possam viabilizar um aprendizado escolar com resultados, cada vez mais, relevantes.
Há uma necessidade estrutural, em vários aspectos, para atender as novas tecnologias e para a adaptação de novos conceitos e abordagens que se apresentam na atualidade. Não é fácil desenhar um contexto extracurricular que alcance os objetivos do tempo e espaço na íntegra, mas também, não é impossível transportar esse estimulante desafio. Para que haja a melhor efetivação dessa dinâmica, tempo e espaço, ainda que haja desafios de caráter conjuntural e estrutural, é necessário trabalhar com ferramentas alternativas que viabilizem a interdisciplinaridade e a transversalidade que é essencial   no campo da pedagogia. Em suma, para que se atinja bons resultados, nessa temática e em outras questões, além do comprometimento dos profissionais da educação, tem que haver a colaboração política de toda a sociedade, no sentido de cobrar dos governantes os direitos educacionais que reza os artigos da Constituição.
     

Palavras-chave: Desafio, tempo, espaço.


A educação é um constante desafio que se apresenta no cotidiano dos profissionais dessa área; um desafio também para os discentes, de todas as séries, um desafio para os pais, para a comunidade em geral, um desafio para os governantes que se propõe a administrar o país, um desafio para estudiosos e cientistas, enfim, um desafio para toda a sociedade que almeja qualidade e otimização no processo do ensino escolar.
Buscar novas alternativas para que se melhore o ensino nas instituições escolares   é um consenso entre todos cidadãos que enxergam que uma das maiores ferramentas de crescimento de um país passa, sobretudo, pela instituição educacional que vem a ser uma das mais poderosas organizações responsáveis pela evolução do progresso em todos os sentidos.
             Mas o Brasil, hoje, está diante de uma situação crítica que afeta vários setores, principalmente a educação. Há de se frisar que esse problema não é de agora e sim um problema histórico, fato, que acaba atingindo todo sistema educacional. E diante da atual conjuntura, há uma carência muito significativa para a viabilização de certos mecanismos, essências, que são responsáveis por desempenhos animadores. Tais mecanismos, ficam engessados por falta de aportes governamental. Logo, a educação ideal, por enquanto, é só um vislumbre.
        No entanto, mesmo diante de tantos desafios, é relevante que o sujeito tenha perseverança para se ater ao momento atual que pede empenho para a solução das problemáticas do cotidiano escolar. Quando falo do sujeito, falo especialmente dos professores, entre outros colaboradores das instituições educacionais, que escolheram essa profissão como exercício de seu trabalho profissional; mesmo sabendo que a sua valorização não é condizente com tamanha responsabilidade, que é a disponibilização e mediação dos conhecimentos para os seus alunos; ainda que isso não seja reconhecido pelos órgãos que administram a área educacional, o profissional dessa área   não pode fraquejar,  tem que perseverar com comprometimento que assumiu quando fez  dessa profissão a sua prática social diária. Logo, ele deve estar antenado com as novidades tecnológicas e com tudo que diz respeito a novas abordagens educacionais. É fundamental buscar informações, participar e aplicar esses métodos e técnicas que agreguem valores didáticos para o seu dia a dia escolar.  Muitas vezes o sujeito dessa área depende de outros parceiros para que se efetive determinados trabalhos. Então há de se ter uma união simbiótica para que os profissionais dessa classe educacional possam suplantar os desafios e deixarem as suas marcas e fazerem toda a diferença no contexto escolar. Parcerias são cogentes, há de se trabalhar com colaboradores que buscam desenvolver projetos e soluções; aproveitando as ferramentas que estão disponíveis partir para objetivos que deixem os alunos satisfeitos, assim como toda a comunidade que, de alguma foram também pode colaborar, para que as novas propostas de ensino sejam bem assimiladas e possam trazer melhorias contínuas para a educação em geral.

        Diante de todo esse cenário desafiador, é importante destacar o tempo e o espaço dos sujeitos e instituições escolares. Esse é um assunto que sempre estará presente no âmbito escolar, não importando o momento educacional que se viva. Concatenar o tempo e o espaço é fundamental para que o processo sistemático de ensino tenha melhores resultados. A questão é como conciliar, adaptar, implantar a melhor maneira de alinhar esse evento precioso que é o tempo com o desenho organizacional do espaço físico. De fato, não é fácil planejar tudo isso dentro das grades curriculares. Como trabalhar tempo e espaço quando esses aspectos dependem de vários aspectos, entre eles a falta de uma estrutura física adequada, o engajamento do profissional da área, a cultura herdada de uma didática clássica, aliados a outras adversidades que aparecem como resistência? Muitas são as barreiras, mas uma considerada importante são as instituições públicas que deixam a desejar com uma política pública que não contempla, como deveria, com verbas suficientes as instituições educacionais, para que as mesmas, tenha mais ênfase estrutural, ou seja, há muita carência de novas escolas, mais espaços e arranjos físicos. Uma decente infraestrutura, se faz necessário, para que os alunos tenham um ambiente muito mais agradável que culmina em qualidade de vida. Aqui, nessas observações, são referenciadas, basicamente, as instituições educacionais públicas, até porque as instituições privadas, que também tem problemas de tempo e espaço, envolve outro tipo de gestão. Enfim, um ambiente dotado de recursos estruturais, sem dúvidas, trará grandes benefícios para o aluno em todos os sentidos. Mas, muito relevante também, há de se contemplar os professores e toda a sua classe em geral para que esses mediadores do saber possam desempenhar os seus trabalhos com mais dignidade, estímulos e êxitos.
       Sabe-se que há várias teses para enfrentar novos desafios, muitas fórmulas para encontrar a melhor maneira de desenvolver, adaptar, e pôr em prática as novas abordagens científicas que visam uma melhoria educacional. Mas a realidade, entre outras coisas, não é nada fácil para os sujeitos envolvidos no processo de assimilar novos conceitos. Uma das novas propostas contemporâneas é a Transmissão Coletiva do Conhecimento, ou seja, a prática social do aluno vinculado com a prática do professor que através da interação de ambos, possibilita uma tempestade de ideias construtivas que pode vir a ser muito relevante para os objetivos do ensino didático. Porém, para que isso se concretize, é necessário alocar, qualitativamente, tempo e espaço no contexto dos sujeitos e instituições escolares. E para que isso se desenvolva está a figura do professor para indicar o caminho que se pretende chegar. O professor não é dono de todos os saberes, muito menos, deve ser, um simples executor de tarefas, mas sim o indivíduo que irá apresentar as novas abordagens para os seus alunos que por sua vez irão aliar o que se propõe sistematicamente com as suas experiências pessoais, sejam formais, a educações adquiridas em âmbito escolar, com a sua educação informal, assimiladas, essas, na sua vivência familiar, ambiente de trabalho, no seu lazer diário, nas igrejas e na comunidade em geral.
       Para sustentar essa temática do tempo e espaço é relevante destacar, aqui, uma entrevista, artigo esse em anexo, com Alessandra da Costa Gomez pedagoga de uma instituição pública, onde é possível verificar como a atuação de um professor pode ser complexa, mas também muito estimuladora para quem está ingressando na carreira profissional como discente.
        Numa das perguntas, abertas, foi feito o seguinte questionamento: a atual legislação disponibiliza diversas modalidades de organização pedagógica, flexibilizando tempos e espaços. Na sua visão, pela sua experiência, a escola, com seu corpo de docentes, se valendo da sua autonomia, o que ela ainda tem por fazer para que a nova abordagem da prática social entre professores e alunos seja muito bem aproveitado dentro desse contexto de tempo e espaço?
A escola como um espaço de interação social e aprendizagem deveria oferecer aos alunos recursos para além dos cadernos, cartilhas e quadro. Ainda se observa nas escolas um ambiente permeado de proibições, com muros altos e a família distante. A prática social trabalhada pelo docente deve ser bem próxima a realidade vivenciada pelos alunos. É importante que juntamente ao currículo, a ser cumprido, os professores desenvolvam atividades práticas, que façam sentido para os alunos. Que os espaços escolares sejam atrativos e estimulantes. Que o tempo e o espaço não sejam limitações para um trabalho criativo. Acredito que a prática pedagógica deve estar apoiada nos princípios de interdisciplinaridade e transversalidade. (GOMEZ, 2016).

       Vimos aí, supracitado, segundo Gomez (2016), que faltam novos recursos, ou seja, há uma crítica sobre métodos e técnicas tradicionais e pede uma participação mais atuante, ou próxima, por parte dos familiares dos alunos. Cita também que o professor tem que trabalhar, incluir na sua pedagogia assuntos condizentes com a realidade em se que vive. Da mesma forma, observa que o ambiente tempo e espaço sejam estimulantes e propícios para a criatividade dos alunos, e, também muito importante, que a prática pedagógica tem que estar apoiada nos princípios da interdisciplinaridade e transversalidade.
       Em outra pergunta, que teve o seguinte questionamento: Você pode dar um exemplo, ou uma situação já vivenciada, em que você conseguiu adaptar uma aula aproveitando-a da melhor maneira possível, contemplando com o tempo e o espaço, de tal forma que essa dinâmica tenha sido muito relevante para você e para seus alunos?
Em 2014, na semana do aniversário de Florianópolis, a escola propôs que fizéssemos com nossos alunos alguns alimentos típicos da nossa cidade para oferecermos uma degustação aos pais e visitantes da nossa escola. Nossa turma escolheu a ostra. Passados alguns dias surgiu a dúvida de alguns alunos sobre como se desenvolviam as ostras. Realizamos uma aula vivência, onde pudemos visitar os barracões de cultivo em Santo Antônio de Lisboa. Os alunos puderam conversar com os pescadores sobre o cultivo das ostras, conheceram os materiais e as nomenclaturas usadas por eles e descobriram como era feito o controle de qualidade das ostras. Acompanharam cada etapa da produção até chegar ao consumidor. Também aprenderam como eram realizadas as vendas, o valor do produto e o reaproveitamento das cascas.   Retornamos a sala de aula com muitas ideias. Pesquisamos sobre o reaproveitamento das cascas das ostras, que são utilizadas em artesanatos e para fabricação de botões, os alunos trouxeram alguns objetos feitos desses materiais e realizamos uma exposição na feira de ciências que aconteceu 7 meses após a degustação em março. Ou seja, foi um projeto que durou 7 meses, os alunos aprenderam sobre a cultura da nossa cidade, sobre reaproveitamento, cultivo e culinária local. Dentro desse tema proposto pelos próprios alunos pudemos contemplar várias disciplinas: Ciências Humanas e Naturais, Linguagem e Matemática.
Foi um momento de grande aprendizado, lembrando que partiu da curiosidade dos próprios alunos. (GOMEZ, 2016).
       Enfim, GOMEZ (2016), relata uma vivência muito relevante dentro do contexto educacional. Através de um tema proposto, pelos próprios alunos onde é possibilitado propor a interdisciplinaridade e a transversalidade no campo pedagógico
       Esse trabalho que é lacônico, diante da vastidão dessa temática sobre tempo e espaço entre sujeito e instituições, requer muitos estudos por se tratar de um assunto que será sempre atual e que faz parte dos métodos e técnicas curriculares. Portanto é um assunto que nunca se esgotará devido sua importância nos meios educacionais.
       A síntese desse trabalho é mostrar que existe sim grandes desafios, mas o profissional que tem uma boa base pedagógica passa por cima dos problemas adversos que surgem no caminho e transpassa os obstáculos através da sua criatividade, perseverança e comprometimento com a sua profissão. Logo, os desafios, entre outros, de alocar o melhor tempo e o espaço, em todo contexto escolar, é uma atividade que exige do professor usar das melhores formas possível os seus recursos, ainda que escassos ele tem que manusear com certa perícia ferramentas disponíveis para desempenhar um trabalho que traga perspectiva de uma educação de muito valor. E que o professor esteja atualizado com as novas abordagens, saber interpretar as necessidades dos alunos e se aliando a eles nessa nova proposta educacional que envolve uma simbiótica interação. E por fim, buscar uma maior aproximação da comunidade para que unidos possam reivindicar melhorias, de várias naturezas, junto a administração pública que tem o compromisso de um olhar sempre atendo na área da educação que é um dos principais motores do progresso de um pais.


Referências

GOMEZ, Alessandra da Costa. O tempo e o espaço dos sujeitos e instituições escolares. Entrevista escolar, Florianópolis:2016.

Anexo
O tempo e o espaço dos sujeitos e instituições escolares
Entrevista

Entrevistador: Julio Cesar Machado de SOUZA

UNINTER
       Entrevistada: Alessandra da Costa Gomez. Março de 2016.

       Função: Atualmente pedagoga de Colégio Público Estadual

       Essa entrevista tem como proposta avaliar a vivencia de um pedagogo   no seu âmbito educacional, observando como é administrado a temática do tempo e espaço entre os sujeitos e instituições escolares. Nessa dinâmica foram feitas cinco perguntas, sendo   três objetivas e duas perguntas abertas.

Perguntas objetivas
Na sua opinião, a questão tempo e espaço nas instituições escolares, da rede pública, está significativamente alinhado com a proposta de transmissão coletiva do conhecimento, ou seja, está conectada com a abordagem da prática social que busca a efetiva interação entre o professor e o aluno.
Alessandra:

Nunca

Raramente
Às vezes
X
Muitas vezes
Sempre

      
Na sua avaliação, há uma preocupação, ou uma busca contínua, entre os profissionais da área educacional, para que esse tema, tempo e espaço no ambiente escolar se concretize numa dinâmica eficiente?
  Alessandra:

Ainda não
X
Definitivamente não


Sim.
Provavelmente, sim
Definitivamente, sim

 
Você acha que esse assunto, tempo e espaço, é relevante no contexto da educação atual?

      Alessandra:

Sem importância


Pouco importante

Importante
Muito importante
Extremamente importante
X


Perguntas abertas    

  A atual legislação disponibiliza diversas modalidades de organização pedagógica, flexibilizando tempos e espaços.
Na sua visão, pela sua experiência, a escola, com seu corpo de docentes, se valendo da sua autonomia, o que ela ainda tem por fazer para que a nova abordagem da prática social entre professores e alunos seja muito bem aproveitado dentro desse contexto de tempo e espaço?

Alessandra – ­ A escola como um espaço de interação social e aprendizagem deveria oferecer aos alunos recursos para além dos cadernos, cartilhas e quadro. Ainda se observa nas escolas um ambiente permeado de proibições, com muros altos e a família distante. A pratica social trabalhada pelo docente deve ser bem próxima a realidade vivenciada pelos alunos. É importante que juntamente ao currículo a ser cumprido, os professores desenvolvam atividades práticas, que façam sentido para os alunos. Que os espaços escolares sejam atrativos e estimulantes. Que o tempo e o espaço não sejam limitações para um trabalho criativo. Acredito que a pratica pedagógica deve estar apoiada nos princípios de interdisciplinaridade e transversalidade.



       Você pode dar um exemplo, ou uma situação já vivenciada, em que você conseguiu adaptar uma aula aproveitando-a da melhor maneira possível contemplando com o tempo e o espaço de tal forma que essa dinâmica tenha sido muito relevante para você e para seus alunos?



Alessandra – Em 2014, na semana do aniversário de Florianópolis, a escola propôs que fizéssemos com nossos alunos alguns alimentos típicos da nossa cidade para oferecermos uma degustação aos pais e visitantes da nossa escola. Nossa turma escolheu a ostra. Passados alguns dias surgiu a dúvida de alguns alunos sobre como se desenvolviam as ostras. Realizamos uma aula vivência, onde pudemos visitar os barracões de cultivo em Santo Antônio de Lisboa. Os alunos puderam conversar com os pescadores sobre o cultivo das ostras, conheceram os materiais e as nomenclaturas usadas por eles e descobriram como era feito o controle de qualidade das ostras. Acompanharam cada etapa da produção até chegar ao consumidor. Também aprenderam como eram realizadas as vendas, o valor do produto e o reaproveitamento das cascas.   Retornamos a sala de aula com muitas ideias. Pesquisamos sobre o reaproveitamento das cascas das ostras, que são utilizadas em artesanatos e para fabricação de botões, os alunos trouxeram alguns objetos feitos desses materiais e realizamos uma exposição na feira de ciências que aconteceu 7 meses após a degustação em março. Ou seja, foi um projeto que durou 7 meses, os alunos aprenderam sobre a cultura da nossa cidade, sobre reaproveitamento, cultivo e culinária local. Dentro desse tema proposto pelos próprios alunos pudemos contemplar várias disciplinas: Ciências Humanas e Naturais, Linguagem e Matemática.
Foi um momento de grande aprendizado, lembrando que partiu da curiosidade dos próprios alunos.


       Nessa entrevista foi possível analisar que há ainda uma trajetória relevante para que o tema tempo e espaço seja implantado com mais efetividade. Mas também foi possível verificar que é possível ter bons resultados quando se tem um olhar especial para a prática interacional entre professor e o aluno. E sobretudo, quando o professor deixa o aluno conduzir pesquisas através das suas curiosidades e conhecimentos informais.
Por fim, ficou muito bem evidenciado e destacado a importância da interdisciplinaridade e transversalidade que a professora Alessandra nos sugeriu no seu projeto pedagógico que nos foi presenteado através da sua generosa entrevista.   

      


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